Reflexões: Status de Relacionamento



Certa noite, enquanto tomava um chopp com meus amigos em um badalado bar de minha cidade, me deparei com a imagem de um casal, sentado a mesa próxima da nossa. Ambos perdidos dentro de seus mundinhos virtuais ignorando-se por completo, enquanto dedos que deveriam estar se tocando, faziam aquele hipnótico balé sobre as telas de vidro de seus celulares.
Sem olhares, sem toques, sem gestos ou palavras... nada!
Apenas o celular que obviamente fora o mesmo usado para tirar uma foto linda dos dois antes de chegar ao bar e postada nos minutos subseqüentes com a legenda ‘noite linda com meu mozão’ ou algo do tipo.
Certos testemunhos do cotidiano me fazem pensar e repensar o real valor das relações no século XXI. Imagine quantos outros casais deveriam estar na mesma situação em outros lugares. Quantos milhares de outros casais estão neste exato momento envoltos em seu isolamento físico em suas próprias casas, em suas próprias camas, ignorando não apenas a sua existência, mas também de todos aqueles que julga e proclama amar nas redes, mas que não faz nada realmente físico para provar. E não estou falando de sexo, pois como diria minha grande diva Rita Lee: sexo vem dos outros e vai embora; sexo é vontade.
Esse contexto filosófico me transportou para alguns anos atrás quando, eu mesma, ao iniciar uma relação, fui confrontada pelo fato de não ter trocado meu status para um relacionamento no Facebook com o pretexto de que a pessoa queria mostrar ao mundo o quanto me amava e desejava que eu fizesse o mesmo.
Porém isto, também me fez pensar: se quero mostrar ao mundo que amo alguém, ou dar o mundo a pessoa que amo? Decididamente, prefiro a segunda opção.
Uma relação é, e sempre será, a dois. Minha felicidade e a de meu companheiro depende apenas, e exclusivamente, de nós dois e deste nosso mundinho paralelo, mais real e sólido que muito status na web. Nele criamos nossa vivência, tornamos nossa relação inteira, muito mais verdadeira e muito mais intensa do que apenas palavras ao léu digitadas com a intenção de entreter quem nada tem a ver com sua vida. Não preciso provar nada a ninguém, muito menos expor o que realmente me faz feliz para aqueles que são incapazes de amar.
Que as redes sociais são, sem sombra de dúvidas, uma ampliação de nossos horizontes, é um fato. Mas até onde ela tem interferido na nossa vivência? Desde quando ela deixou de ser auxiliadora e se tornou nossa consumidora?
Hoje prega-se muito o amor, porém vive-se muito pouco a sua essência.
Pergunto-me se as pessoas ainda se lembram o que é realmente estar amando outra pessoa.
Pra mim amor é toque, é sensação, é troca de olhar, coisa de pele, suspiros e saliva. Um sentimento forte de cuidado, desejo de provar a todo instante o quanto o outro é importante, não apenas com fotos ou mensagens no meio do dia, mas naquela xícara de café deixada ao lado da cama antes de sair, o prato favorito feito para o jantar no meio da semana, o beijo carinhoso na bochecha sem aviso, o cafuné em um momento de silêncio, ou ainda, o interesse em saber como foi o dia mesmo ele tendo sido o mesmo de sempre.
De todas essas coisas, a maior certeza que tenho é que...
Amor, o amor de verdade, aquele sem distâncias infindas apesar da proximidade, não é um status de relacionamento no Facebook ou uma foto no Instagram com declarações de amor em suas legendas... e sim aquele que se faz presente nos pequenos gestos do cotidiano.
Então se está com alguém, mas digo verdadeiramente com alguém. Pense o quanto está disposto a amá-la verdadeiramente, o quanto está disposto a se doar para que esse amor deixe de ser um status de relacionamento em uma rede social e vire um relacionamento de verdade com a pessoa escolhida por você.
Garanto que quando encontrar esse sentimento, até a necessidade de compartilhar sua relação incessantemente vai se esvair, pois você terá, com toda a certeza, coisas mais sólidas para vivenciar e os momentos de exposição serão apenas aqueles que realmente te fazem feliz.




Até o texto :*


Texto:
R A Í S S A • N A N T E S
Resenhista, aspirante a escritora.

Nenhum comentário

Postar um comentário