Blogs x Autores: Da Escrita - Parte 1: Ao Autor

Hoje começa uma nova fase na vida dessa que voz fala, após passar mais de cinco anos no meio literário dos blogs e de muito analisar o meio acredito que tenha certa carga de experiências para falar sobre os assuntos que virão a tona nessa série voltada para blogs e autores. Nessa nova fase, me torno colunista do blog Clube dos Novos Autores, e pretenderei mesclar meus inúmeros talentos e aprimorar ainda mais minha experiência.

Tive a ousadia de criar esta série, não com o intuito de criticar ninguém, ao contrário, mas para auxiliar e expor aquilo que vejo por aí que poderia ajudar a aprimorar o trabalho de ambos os lados. Atualmente há uma enorme rivalidade entre autores e blogueiros, sendo assim possivelmente os textos que começam hoje poderão auxiliar a ambos.


Como sempre, haverá aqueles que discordam do ponto de vista alheio, mas maturidade é o que não me falta para lidar com isso e se ela te falta, com certeza o texto de hoje te ajudará a lidar com o estrelismo exacerbado do seu ser. 


Os textos serão publicados intercalando autor e blog, sendo assim o próximo será voltado para a escrita dos blogs e as dicas que darei serão bem necessárias, mas esse é um assunto para a próxima postagem.


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"Um livro sem alma, tende a ser técnico, rico em detalhes, mas sem essência..."
Acredito que todo autor nasce leitor. É como uma semente, que quanto mais adubamos, mais belo e suculento será o fruto. Quanto mais lemos, mais criativos ficamos, mais fértil fica nossa inspiração até que bang! não há mais espaço em nós e começamos a imprimir aquilo no papel, páginas e mais páginas do mais perfeito e suculento fruto que nasce das entranhas das nossas almas, cativando e encantando. Todo livro nasce da alma do autor, independente do gênero literário, ele vem lá de dentro, da essência e mesmo tendo uma enorme carga de pesquisas e estudos sobre aquilo que está sendo escrito, tem um quê de cada autor impresso naquelas linhas palavras. Há vivências e experiências e é isso que dá vida aquilo que se escreve. Um livro sem alma, tende a ser técnico, rico em detalhes, mas sem essência... por mais que o autor seja um pesquisador, ele tem de vivenciar aquelas sensações, nem que seja na mente, para costurar a alma da trama em cada palavra. Isso cativará seu leitor.

Que me atire a primeira pedra aquele que discorda das minhas palavras, mas nada disso mudará a forma como a escrita é e deve ser feita. Num atino, num momento, a inspiração vem e não tem como conter e tudo flui, flui, flui e outro bang! faz seu livro nascer. Envolto nesse ápice de emoções, não é pecado algum errar, mas tem de se ter o cuidado de revisar aquilo que foi escrito. Não revise seu escrito no mesmo dia em que ele foi escrito, deixe para reler o que foi digitado no outro dia, com as emoções mais calmas, antes de continuar escrevendo. Isso te ajuda a manter o enredo fresco e não te fazer perder o fio da meada da trama. George R.R. Martin, não escreve no word, mas ele tem um muitos revisores, você escritor de primeira viagem é uma boa lançar mão do programa, já que ele assinala todos os erros que podem aparecer, mas isso não te faz unanime e correto em tudo. Por isso revisar o que foi escrito é primordial e começa por você.

Leia sua obra de capa a capa, folha a folha, antes de pedir que outra pessoa a revise. Sempre há uma coisa ou outra que deixamos passar pelo excesso das emoções. Insira, exclua e concerte quantas vezes achar necessário. Preste atenção a concordância, se aquele texto está parecendo estranho para você leia em voz alta até que você encontre o erro. Quando ouvimos o que foi escrito temos um outro panorama daquele texto e isso ajuda muito.

Tenha em vista ao menos três revisores antes de encaminhar os originais para a publicação ou avaliação, você não precisa pagar alguém para isso, pode ser algum amigo mesmo, mas deixe claro que é parar ele meter o bedelho na trama e falar o que está certo ou errado no seu livro, se está bom ou ruim.  Tenha maturidade para aceitar criticas negativas, elas sempre virão. O mundo não é cor de rosa e o fato de você ser um escritor não te faz imune a negatividade. Você escreve, não tem super poderes, nem está acima da opinião alheia. É apenas uma revisão e as criticas que por ventura vierem enriqueceram ainda mais a sua trama, aprenda a tirar coisas boas dos pareceres ruins.

Se não é capaz de aceitar os pontos negativos sobre sua obra, não escreva, se ainda assim quiser trilhar esse caminho, seja ao menos elegante em lidar com a situação, mesmo que por dentro esteja morrendo de raiva ou decepção. Tenha em mente sempre que apenas tapa de mãe dói com amor, os tapas da vida sangram e você tem de ser maduro pra lidar com eles, nem que seja na marra ou engolindo alguns sapos.

Se seus revisores, forem amigos muito íntimos e tiverem melindres para criticar sua obra, pergunte, perturbe... se ainda assim não surtir efeito, pergunte qual parte ele está lendo e veja seja você o primeiro a criticar aquele ponto. Isso deixará ele mais seguro em criticar e falará mais abertamente sobre o que está lendo. 

No meio literário tudo depende de você, escritor, dos seus empurrões e do seu trabalho. Por maior que seja a editora que pretenda publicar, por maior que seja o marketing dela, quem conquistará o leitor é você e seu trabalho. Dê sempre o seu melhor na hora de escrever, não economize nas minúcias nem no sentimento. Ame e odeie, na mesma intensidade que cada personagem, visualize cada recanto, cena... viva aquilo que está escrevendo quanto maior o cuidado e carinho despendido sobre seu filho de papel, mais resultados positivos você terá. 

Texto:
R A Í S S A • N A N T E S
Resenhista, aspirante a escritora e, agora, colunista do Clube dos Novos Autores.